VOCÊ SABE O QUE É ECONOMIA CRIATIVA?

VOCÊ SABE O QUE É ECONOMIA CRIATIVA?

Atualmente, ao se pensar em novas formas de desenvolvimento que ultrapassem a visão exclusiva de crescimento econômico, o termo Economia Criativa entra em pauta, pois busca estabelecer uma relação entre a tecnologia, a inovação, cultura, criatividade e sustentabilidade. 

 

Mas como e onde surgiu a Economia Criativa? Quais são as áreas envolvidas nesse meio? E no Brasil, como funciona? Diante disso, neste texto abordaremos essa nova perspectiva de olhar sobre os modos de produção econômica, relacionando-a com a área de políticas públicas representado em âmbito nacional por meio do Plano da Secretaria da Economia Criativa.

COMO SURGIU A ECONOMIA CRIATIVA?

 

O conceito de Economia Criativa é relativamente novo, portanto, não há uma definição “pronta” e única sobre o termo. O que podemos afirmar é que a ideia da Economia Criativa, como o próprio nome diz, é unir economia com criatividade, possuindo como matéria-prima o capital intelectual, isto é, carregado por valores simbólicos.

Assim, de um lado temos a Economia, que diz respeito à ciência que regula a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços. E, de outro lado, temos a criatividade, que significa ser capaz de criar algo novo ou transformar algo que já existe.

O pesquisador britânico e especialista na área, John Howkins, sustenta que é justamente a relação que se dá entre a economia, a criatividade e o campo simbólico que constitui a Economia Criativa.

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) a economia criativa é: “[…] um conjunto de atividades econômicas baseadas no conhecimento com uma dimensão de desenvolvimento e ligações transversais a níveis macro e micro à economia global.” (UNCTAD, 2010, p.10, tradução nossa).

Antes mesmo de surgir o termo Economia Criativa, já havia a noção de indústrias criativas, criado por volta da década de 1990 na Austrália e muitas vezes esses conceitos são usados como sinônimos, mesmo que não sejam. Nesse período ocorreu a publicação do relatório chamado Creative nation: commonwealth cultural policy, que trouxe a importância de se levar em consideração o potencial econômico das mais variadas atividades culturais.

Outro evento importante, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que aconteceu em 2012 no Brasil também trouxe essa discussão sobre a Economia Criativa por meio da cultura, a colocando como o quarto pilar do desenvolvimento sustentável. Por outro lado, este é um processo gradual de reconhecimento da cultura e da criatividade, que depende dos objetivos de cada nação em firmar ou não este compromisso.

QUAIS SÃO OS SETORES DA ECONOMIA CRIATIVA?

 

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) elaborou um modelo que classifica as indústrias criativas em quatro eixos, que são: patrimônio, artes, mídia e criações funcionais, sendo que juntas se desmembraram em nove setores, conforme ilustrado abaixo:

Desse modo, o eixo do Patrimônio inclui: expressões culturais tradicionais e sítios culturais. O eixo das Artes engloba: artes visuais e artes dramáticas. O eixo da Mídia: audiovisual e publicidade e mídia impressa. E, o eixo das Criações Funcionais abrange design, novas mídias e serviços criativos. Assim, todos os empregos e ocupações que se relacionam a esses setores são considerados como ocupações criativas.

De acordo com o Plano da Secretaria da Economia Criativa, os setores criativos são “aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de um produto, bem ou serviço, cuja dimensão simbólica é determinante do seu valor, resultando em riqueza cultural, econômica e social”.

É importante ressaltar que muitos dos setores criativos não se submetem às leis tradicionais do mercado, por essa razão a Economia Criativa se constitui como uma forma de inserir muitos dos profissionais dessas áreas numa economia sustentável.

De acordo com um mapeamento realizado pela FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), podemos reconhecer a Economia Criativa ou a Indústria Criativa através de três categorias:

  1. Indústria Criativa em si: é aquela em que as ideias criativas formam o ramo principal das atividades desenvolvidas por um profissional ou empresa;
  2. Atividades Relacionadas: são aquelas atividades que fornecem algum tipo de serviço ou material para determinada indústria criativa;
  3. Apoio: contribuem para a indústria criativa de maneira indireta.

Seguindo esse raciocínio, um exemplo seria: uma empresa que desenvolve conteúdo e distribuição na área do audiovisual (1-Indústria Criativa) precisa comprar aparelhos de gravação e transmissão de som e imagem (2-Atividades Relacionadas), e fazer a manutenção desses aparelhos (3-Apoio).

Além disso, não é necessário que determinada indústria ou empresa se volte exclusivamente à Economia Criativa. Por exemplo, um designer pode trabalhar em uma indústria automobilística e esta indústria pode não fazer parte como um todo da Economia Criativa, mas emprega profissionais que se encaixam nos setores criativos. Dessa forma, pode haver uma mistura entre a Economia dita “tradicional” com a Economia Criativa.

FONTE DO CONTEÚDO:

https://www.politize.com.br/economia-criativa/

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